O mundo moderno não tem espaço para algo sem planejamento. Tanto as pessoas quanto as corporações necessitam de um roteiro para guiar suas atitudes. As cidades também necessitam de instrumentos que às organizem quer nas suas ações no presente e no futuro como também na organização de seu espaço físico.
O Brasil é hoje um país essencialmente urbano, já que mais de oitenta por cento de sua população vive nas cidades. Como o processo de urbanização brasileiro foi muito rápido e as cidades não se prepararam adequadamente para receber todo esse contingente populacional, fica fácil entender o enorme desafio que a maioria das prefeituras verdes e amarelas tem de enfrentar. Engarrafamentos, alagamentos e marginalidade são temas frequentes nos noticiários e estão diretamente relacionados com a incapacidade de gerenciamento sobre o transporte público e circulação, a drenagem das águas pluviais e da cidadania, só para ficar nesses três exemplos.
O plano diretor é um instrumento que, se bem elaborado, pode resolver ou minimizar muitos problemas que decorreram do acelerado crescimento das cidades. Nos anos 70, os planos focalizavam mais o ordenamento espacial, setorizando regiões da cidade. Os chamados zoneamentos determinavam onde e o que estava permitido construir. Zonas residenciais, comerciais ou mistas, com possibilidade de grandes edifícios ou não. Manchas no mapa da cidade serviriam para a identificação desses setores ou zonas.
Com o advento do estatuto das cidades a partir de 2001, consolidou-se uma visão nova sobre o planejamento. A cidade, apesar de concentrar a maior parte da população, não vive sem o campo. A nova visão insere no processo de planejamento a área rural do município. A cidade não é um organismo isolado, está em constante interação com seu entorno rural e com as outras cidades próximas. A necessidade de entender as interações é fundamental no processo de vislumbrar todo o sistema econômico do município, pois é este que no fundo dá ritmo a tudo em uma cidade. Movimenta o setor imobiliário, o comércio, atrai novos investimentos e gera os empregos para a população. Um bom plano precisa interpretar corretamente como funciona suas atividades para fomentá-las da melhor maneira e focar na predisposição econômica do município, ou melhor dizendo, em suas vocações.
O plano tem como missão organizar e ordenar o espaço físico para dar suporte a todas as atividades econômicas, sociais, políticas e culturais do município. Deve se estruturar em cima de uma pesquisa profunda de autoconhecimento. Conhecer as suas próprias entranhas e perguntar-se por último: – O que quero como município e que caminho devo seguir? A resposta deve estar clara no primeiro parágrafo da lei do plano diretor, como um lema a ser seguido.