DESENHO URBANO II

Para os planejadores urbanos a cidade é um ser vivo pois está em constate movimento, sempre se movendo e modificando-se. Justificam-se assim as constantes alterações e ajustes na legislação urbana, pois se pretende acompanhar ou pelo menos tentar acompanhar a cidade em suas novas necessidades e aspirações. O ser vivo cidade só o é porque congrega em seu interior milhares e até milhões de pessoas. A invenção humana para viver próximos uns dos outros, precisa realmente ser monitorada constantemente para antecipar tendências de crescimento e resolver problemas decorrentes dessa concentração. Por isso a legislação urbana deve ser atualizada e modificada para acompanhar a grande demanda de novas funções e atributos que surgem de tempos em tempos em determinadas áreas da cidade. Contudo se a legislação deve acompanhar as mudanças, determinados espaços públicos devem ser tratados com muita atenção para que não se modifiquem com a rapidez com que a sociedade e o meio construído se transformam.

O homem sempre precisou de referências físicas para sentir-se pertencente a um lugar. Quando pensa em sua cidade, imagina a sua forma física. A rua em que morou, a avenida importante mais próxima de sua casa, as praças, as escolas que estudou e os espaços coletivos mais significativos para ele e, com toda a certeza, para quase todos os outros cidadãos. Os espaços coletivos que ficam no imaginário da população devem ser tratados com o pensamento na perenidade, isto é, modificações somente para dar ainda mais valor a ambientes desse tipo e nunca descaracterizá-los. Espaços públicos com uma arquitetura ou um elemento natural na qual a população se identifique, devem seus atributos ser reforçados, tratando os seus arredores de modo a criar uma espécie de preparação antes do ambiente principal e transformando-os em pontos de foco e referência. Esse tipo de trabalho normalmente realizado pela municipalidade chama-se desenho urbano.

O ofício de desenhar a cidade em seus aspectos morfológicos, isto é, a aparência da cidade, é função do arquiteto. A cidade precisa estar ajustada em todos os seus aspectos, quer na infra-estrutura e equipamentos urbanos que atendam a população de modo satisfatório, quer também em seu aspecto estético. Arquitetura de prédios públicos, vias com tratamento paisagístico e outros muitos recursos apoiados no desenho urbano podem transformar a paisagem da cidade em um local agradável também aos olhos. Agradar aos olhos significa mexer com a emoção e a percepção do usuário. Arquitetura urbana pode criar espaços abertos, fechá-los ou simplesmente conduzir a visão das pessoas a um elemento na paisagem. Esses desenhos na paisagem da cidade determinarão à identidade própria do lugar.

A cidade assim passa de uma simples coleção de prédios dispostos um ao lado do outro em ruas e avenidas, sem uma proposta maior, às situações intencionais de espaços coletivos com intenções até cenográficas.  O bom desenho urbano contribui muito para a qualidade do espaço urbano, contudo é muito importante que os arquitetos vislumbrem os valores reais da comunidade para qual irão trabalhar e que o elemento principal do projeto não seja modificado. Quando a população confere significado a algo construído ou natural, transforma-se em patrimônio e o patrimônio urbano tem que ser tratado como os cristais e as louças em uma cristaleira. O desenho urbano faz o papel do móvel, a cristaleira, que também tem beleza própria mas com a função de destacar o conteúdo.

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AUTOR

Ricardo Sardo

Ao longo da minha carreira, aprendi que a arquitetura é muito mais do que linhas e formas; ela é sobre conectar pessoas a espaços e criar ambientes que ressoem com suas almas.

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