Considerando arquitetura como arte, podemos dizer que a cidade é como uma grande sala de exibição. A grande galeria de arte urbana congrega uma coleção enorme de obras, com estilos e épocas muitos diversas, convivendo uma ao lado das outras. As ruas, corredores dessa galeria fictícia ou museu de arte, expõem as edificações lado a lado não exigindo a mesma ordem temática nem idades semelhantes. Edifícios comerciais ao lado de residências ou de outras construções feitas para outros fins. Umas muito recentes junto com obras que já existem desde muitos anos.
A diferença entre a galeria ou museu de arte com a cidade (’galeria urbana” como foi chamada) está no tipo de ação que empreendemos para ficarmos frente a frente com uma obra. Vamos ao cinema ou ao teatro para suprir uma necessidade de entretenimento e para mexermos com nossas emoções e reflexões. Fazemos o mesmo indo a uma exposição de pinturas ou esculturas. Nesses ambientes seletos entramos em contato com artistas, autores e intérpretes que procuram criar uma interface com o expectador através de sua arte/performance fornecendo a este uma interpretação pessoal do mundo que vivemos. O interesse, cria uma vontade e daí a ação de nos dirigirmos até onde estará acontecendo a exibição. No caso do arquitetura, querendo ou não o resultado do trabalho do arquiteto está solidificado na rua/corredor a qual temos que passar para alcançarmos nosso objetivo cotidiano. Uma vez feita a construção, não pode mais ser colocada de lado, como um quadro que não ficou do nosso agrado. Estará lá por muito tempo até que outra ação de reforma ou demolição altere aquele espaço.
Muitas cidades desenvolveram planos para sistematizar e normatizar as novas construções visando criar “garantias” de para uma boa edificação. Contudo as normas podem o máximo garantir uma unidade volumétrica, gerando a partir das leis um padrão escultórico de um modo geral. Assim como a tecnologia mais avançada por meio de programas de desenhos para computadores não resultam em certeza de bons projetos, leis reguladoras também não tem força para garantir qualidade arquitetônica. Com recuos de jardins obrigatórios e limitação de altura das edificações impostas pela legislação urbana, resulta em paisagem de volumes parecidos mas com resultados estéticos individuais, ficando a cargo do arquiteto a escolha do visual externo das superfícies das paredes e a sua organização interna para cada edificação. Por outro lado, localizadores onde o ato de construir e fazer arquitetura está muito ligado a tradição e a cultura local, leis foram substituídas por comissões de técnicos e pessoas ligadas a cultura e as artes para avaliar e aprovar cada nova construção. São dois modos distintos para fiscalizar e orientar a um bom produto arquitetônico. O primeiro parecendo dar mais liberdade ao arquiteto e o segundo apóia-se no senso analítico da equipe dos avaliadores.
A grande sala de exposições no que se transformou a cidade exibe a sua coleção ao cidadão de modo democrático e inapelável do mais simples ao mais erudito dos homens, sem poder ocultar suas obras. A arte de construir é imprescindível à totalidade da vida humana e as suas atividades, porém se torna arquitetura quando transcende a sua função utilitária e sua concepção é revestida de significados e valores mais elevados.