Desde muitos anos, até séculos atrás, vemos nas cidades símbolos materializados através de construções com significado ou que carregam a idéia de alguma coisa. Os portugueses deixavam bem claro, para quem quisesse ver o seu poder através do pelourinho nas vilas e cidades brasileiras. Aquele poste com argolas na praça central era um aviso a quem se atrevesse desafiar a coroa portuguesa. O império romano construiu pórticos em pedra para festejar suas conquistas. Os arcos do triunfo, como ficaram conhecidos, eram monumentos urbanos para lembrar ao povo romano de sua grandeza. Não interessava a este povo se comemorassem o extermínio de um povo bárbaro ou a aniquilação total de uma cidade rival. O arco queria dar a idéia que era correto e legítimo os atos de guerra desde que trouxessem riqueza e êxito a nação.
Vemos ao longo da história da civilização humana e, por conseguinte, das cidades que a idéia dominante é vinculada ao modo de construir e na forma como a construção se desenvolve. Os exemplos são numerosos: pirâmides, templos e castelos. Hoje não bastam só edifícios para lembrar a população de como deve conduzir o seu pensamento. A mídia é um forte instrumento para complementar o espaço visível ou construído.
A destruição de símbolos faz o caminho inverso para apagar idéias ou desmoralizá-las. Quando assistimos atônitos aos ataques de 11 de setembro, mais uma vez a ação se fez contra um símbolo. As torres gêmeas eram um símbolo do poder norte-americano e apesar das muitas vidas inocentes ceifadas naquele dia, o alvo seria a autoestima do grande império. Nova York é um símbolo mundial e tornou-se alvo para o inimigo mandar um recado através não da construção e sim do seu oposto. As fabulosas torres vieram abaixo vistas por todo o planeta graças a televisão. Os dois lados em conflito exploraram o evento. O primeiro com o êxito do alvo atingido. O segundo, no caso vítima, propagando ao máximo a ação covarde do inimigo. Arquitetura e mídia a cargo da propaganda das ideias ou contra-ideias.
Hoje constroem-se menos para amedrontar e festejar. O papel que antes eram feitos por esses monumentos tem sido realizado por aviões. A ação humanitária que a OTAN diz promover nos países árabes, através de seus bombardeios aéreos, confirma a prática utilizada no World Trade Center. A ação européia e norte-americana, como tudo indica, está diretamente ligada ao preço da energia dos lares ocidentais. Ou o petróleo não é importante aos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte ou seus caças tem pouca autonomia de vôo para alcançarem os países centrais da África, onde uma ajuda humanitária seria mais urgente.
As mensagens visíveis e concretas ou através da mídia impõem um modo de ver as coisas tanto direta como também dissimulada. Os povos e as corporações por seus interesses sempre lançaram mão de símbolos para reforçar idéias na tarefa de formar opinião pública a seu favor. A arquitetura sempre teve um papel forte para esse objetivo. Hoje divide com a mídia essa tarefa.